11 de ago de 2012

EU A QUERO MESMO ASSIM

Quem já presenciou algum show meu e dos cantores que me acompanharam nestes últimos 20 anos sabe que repito religiosamente, como se fosse numa missa, cinco a dez gestos fundamentais. Um deles é o da rosa machucada.

Com uma rosa na mão pergunto ao povo se ela é bonita. Depois vou quebrando-lhe simbolicamente o pé, o joelho, a coluna, o pescoço, tiro um pedaço de seu miolo, perguntando, após cada gesto se ela ficou mais feia ou menos perfumada por causa disso. O povo responde que ela continua bonita, mesmo ferida. Então peço que digam o mesmo aos doentes de sua casa!

Num mês de setembro numa turnê pelo norte de Minas Gerais, assim que acabei o gesto, uma humilde e sorridente senhora gritou:
__Dá ela pra mim, padre!
Revidei:
__Mas está toda quebrada. Eu vou lhe dar uma outra!
E ela:
__Outra não. Eu quero é “ela”, quebrada do jeitim que ta!

Aproveitei o episódio para uma catequese sobre a adoção de filhos e sobre as mães compassivas e as muitas flores humanas machucadas, que outras pessoas encostam ou jogam fora. De certa forma, alguns de nós temos mais facilidade para adotar e cuidar de flores e gatinhos machucados do que de pessoas machucadas. Não era o caso daquela senhora, mas é o caso de muita gente que, não sabendo o que fazer por alguém ferido, vira-lhe as costas.

É claro que há um limite. Se você oferece o que pode e o que sabe pelo amigo, e mesmo assim, ele parte para outra e não quer mais a sua ajuda nem ouve os seus conselhos, você fica meio amarrado pela liberdade dele. Se faz, é agredido e, se não faz, também é. Nesses casos, entrega-se o revoltado e rebelde nas mãos de Deus! Uma passada por um mosteiro com o nome da pessoa e um pedido de intercessão em geral funciona. Orar da certo e milagres acontecem!... Pode não ser possível restaurar uma rosa ferida, mas já é alguma coisa se a gente a quer daquele jeito e a ajuda como pode! Foi o que aquela senhora fez! Deve ser por isso que tinha um olhar de mulher realizada...


Pe. Zezinho, scj