7 de jun de 2012

O CRISTO VENCEDOR

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas levantem os ânimos, eu venci o mundo. (Jo 16,33)

Uma coisa é crer no Cristo vencedor e outra endeusar um vencedor em Cristo. Todo vencedor em Cristo tem que, primeiro, aprender a perder por Cristo ainda que não “com” Cristo. É impensável o Cristo vitorioso do começo ao fim. Jesus deixa claro que não veio ensinar uma fé triunfalista, que vence de ponta a ponta e jamais perde. (Mt 10,39) Quem prega só vitória e recompensa monetária, casas e sucesso na carreira, não está pregando a doutrina de Jesus e, sim, um neo-capitalismo-religioso: __“Dê mais a Deus que Deus lhe dará mais”. Sucesso espiritual seguido de sucesso financeiro funciona como marketing da fé, mas está longe de ser teologia bíblica. A Bíblia nem sempre casa os dois sucessos.
Fé compensatória, pragmática e premiadora é doutrina da premiação e não da redenção.  Não existe uma “Formula 1” celeste. Aqui na terra, três sobem ao pódio na “Fórmula 1”. No céu quem chegou ao fim e fez uma boa corrida, mesmo não chegando entre os primeiros também sobe ao pódio. Paulo afirma isso em 2 Tm 4, 7. A doutrina não é __“Invista e deposite que Deus lhe dará os primeiros lugares!” Não é o que se lê em Mt 23, 6.  O reino dos céus não é um glorioso tilintar de moedas. Jesus queria dizer muito mais do que disse ao afirmar aos fariseus “A Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar”. (Mt 22, 21)
É que haviam lhe armado uma cilada, mostrando uma moeda romana que era usada em Israel, junto á moeda do templo. Se Jesus dissesse que poderiam usá-la, perderia perante os piedosos judeus que odiavam aquela moeda pagã imiscuída aos negócios do templo. Se dissesse que não a usassem, seria entregue aos guardas romanos, por sedição. Trama bem urdida... Acabou dando certo de outra maneira, mas não deixava de ser uma tentativa via imposto! Jesus pediu para ver uma moeda. Mostraram a de Cesar. Ora, se eles, piedosos como eram, tinham uma para mostrar, é sinal que a usavam. Então, usassem o que é de Cesar e pagassem ao dominador o que achavam que deviam pagar! Mas há um tributo a Deus que não passa por Roma...
Foi isso! Jesus não estava dizendo que se pode praticar religião e, ao mesmo tempo, viver um capitalismo entreguista e egocêntrico. Quem o fazia, arcasse com as consequências. Ele pagaria o tributo ao templo, como, aliás, o fez no episódio da moeda na boca do peixe.
Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti. (Mt 17, 27)
Por mais que discordasse não desautorizou o templo e, sim, quem o comandava naquele tempo. Capitalista ou anarquista Jesus não era e não seria.
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Pe. Zezinho, scj