1 de dez de 2011

CATEQUESE DA ESPERANÇA

Uma simpática história, que quase todo mundo já ouviu ou narrou, embora pouco verossímil, fala de duas rãs que caíram numa barrica de leite. Uma delas não tinha esperança, a outra, sim. A que não tinha esperança, ao não vislumbrar saída, imaginou seu fim trágico e o antecipou. Prendeu a respiração e morreu. A que tinha esperança bateu-se até que acabou pisando em algo duro. De tanto espernear para não morrer, o leite havia se transformado em manteiga... Quem a ouve reage com um sorriso de carinho pela teimosa lutadora! Mas tanto a história como a reação de quem a ouve aponta para algo escondido em cada ser humano. __Vai dar tudo certo! Tem que dar certo!

Vale como ilustração para bilhões de humanos que passaram por este mundo. Sua esperança transforma as coisas ao seu redor. Vencem porque acreditam que, mesmo sem saída, encontrarão a solução. Não confundem solução com saída. Se o mundo não lhes deixa nenhuma saída, eles encontram outra solução. Quando uma barreira desliza sobre o rio ele sempre acha o seu caminho. Parar de correr ele não para!

É uma grande graça ter esperança e graça maior ainda é saber cultivá-la. Há esperanças verdadeiras e falsas esperanças. A catequese judaico-cristã da esperança está narrada nas histórias de Abraão, Sara, Tobias, José do Egito, Moisés, Susana, Daniel, e em centenas de outros personagens para quem aparentemente não havia perspectiva de salvação, ou de realização, mas ela veio. Para nós, católicos, culmina na ressurreição de Jesus. O Eclesiastes diz que quem está vivo tem esperança, pois o cão vivo é melhor do que o leão morto. (Ecl 9,4)

Jesus costumava perguntar aos beneficiados se eles acreditavam que sua vida poderia mudar e se queriam sua ajuda (Mt 9,28; Mt 21,22). Para Jesus, o verbo crer passa pelo verbo esperar... Paulo diz que Abraão acreditou contra toda a esperança e conseguiu (Rm 4,8) exatamente porque sua fé foi esperançosa. Pela fé nós esperamos com garra que o Espírito nos conceda o que pedimos (Gl 5,5), diz Paulo.

A garra é a esperança. Poderíamos dizer que a esperança é a fé continuada. Nossa cidadania está no céu (Fp 3,20), diz ainda o mesmo Paulo. O que nos caracteriza é a esperança no Salvador que vem de lá. Em Gálatas 2,20 Paulo afirma que já não é ele que vive, mas Cristo vive nele, porque sua vida no corpo é sustentada pela vida na fé. Aos Efésios ele afirma que ora para que eles conheçam a esperança para a qual Deus os chamou (Ef 1,18), e lembra que quando Deus chama para a fé está chamando para a esperança. (Ef 4,4) E em Gálatas 3, 13 garante que Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. (Gl 3,13) É uma resposta aos que ainda oram para quebrar a maldição dos antepassados. A esperança se tornou certeza para quem de fato crê em Cristo. Não existe mais maldição depois daquele dia na cruz. Por mais pecador que alguém seja, o resgate já foi pago. Depois disso o que temos é que caminhar na esperança que já foi derramada em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Rm 5,5. Quem crê na ressurreição e em Pentecostes não tem que se preocupar com livramento e maldições. Cada qual responde por seus atos e, além disso, há misericórdia de sobra na morte e na ressurreição de Cristo. Tudo isso faz parte da catequese da esperança. Quem tem esperança crê no perdão. Para os cristãos, depois da kênosis do Filho Eterno Deus não é um ressentido que castiga até à quarta geração. A teologia e a catequese dos judeus e dos cristãos é dinâmica e muita coisa muda num povo que descobre a virtude da esperança!

Paulo acentua que crer em Jesus é esperar naquele que livrou e livrará 1 Ts 1,10 e 2 Cor 1,10. Um pouco mais adiante diz aos fiéis que eles são a sua esperança em Cristo 1 Ts 2,19. Paulo aposta sua vida em Jesus, na Igreja e nos irmãos que com ele buscam o Cristo. E sabe que lhe está reservada uma coroa de gloria, mas Deus é quem sabe como será. (2 Tm 4,7-9) Para Paulo foi claro e para nós também deveria ser que esperar é admitir que aquilo que ainda não aconteceu pode acontecer e que muitas coisas que não julgamos possíveis aqui podem acontecer. Mesmo que não venha acontecer já terá valido a catequese do esperar. É que ela gera frutos antes do acontecido posto que gere sementes de amanhã e muda a perspectiva de uma vida!

Pe Zezinho scj